…duas tristes, porque tudo pesa…

…porque há paisagens que tem de ser abandonadas, sobretudo quando são feitas do papel de desejo que amarelece com o tempo…
…porque a coisa mais triste que existe é o amor não correspondido, e aquele que foi traído… …e porque o cumulo do inferno é cometer/sofrer os dois ao mesmo tempo… …não tendo feitio para masoquista, decide-se partir… …quebrar o feitiço… …assumir que se é um tipo de Ronin ideológico… …áh pois, sim! Referia-me à politica… …e ainda assim, partilha algo com os amores românticos, sim…

…não posso estar «casado» com o que já não credito, porque me desilude e se revela ser o que não aceito, e ao mesmo tempo trair com algo que é impossível, que não podendo nunca ser real, acaba por ser pueril, quase superficial e nada leal…

…abandono definitivamente e sem volta, esse cemitério onde uma teoria deixou o rasto de mais de cem milhões de mortos… …mortos de forma tão maquiavélica, como os outros vinte e dois milhões feitos pelas hordas infernais germanófilas… …aliás ambas reclamando-se do “socialismo” … …abandono tudo isso e tudo o que isso implica…

…mas que não haja ilusões, nunca serei um «democrata» nunca acreditei, não acredito, nem nunca irei acreditar nessa coisa bem-intencionada que dá pelo nome de «democracia»… …nunca irei gostar de plutocracias e plutocratas burgueses, que desprezo profundamente, quase de um modo que roça o racismo… …tenho um misto de ódio/horror ao imperialismo, ao colonialismo, que nunca me vai abandonar… …não acredito mais nessa história de iluministas, de «”direitas” e “esquerdas”», de filósofos e teóricos abstractos, …confesso que fui enganado e que deixei que isso acontecesse… …mas agora acabou… …«curei-me»… …não me enganam mais…

 

…todos estes apelos ao voto demonstram mesmo o quê?…

…todos estes apelos ao voto demonstram mesmo o quê?…

Factos:
1) Vimos o governo italiano democraticamente eleito (por muito mau que fosse) a ser substituído por elementos tecnocráticos «de “confiança”» nomeados pela comissão europeia e bancos, sem passar por um processo legal eleitoral, violando a Constituição desse país, e a ser mantido sem que houvesse da parte dos partidos e da imprensa muito barulho, “engolindo todos em seco”, e “enfiando a viola no saco”, tudo sem consequências legais…
2) Vimos um partido dito «radical» e de «esquerda» ganhar eleições democráticas, parecendo “tentar” confrontar poderes instituídos nacionais e internacionais, «ver-se obrigado» a convocar um Referendo sobre uma pergunta especifica à qual o Povo significativamente respondeu com um rotundo “NÃO”, que reforçaria o poder, a autoridade e legitimidade do seu 1º Ministro para enfrentar o coro de abutres da UE… …e o que aconteceu?… …o dito capitula. Lança ao lixo a vontade do Povo, e destrói para todos os europeus um dos instrumentos mais importantes e fidedignos da Democracia que é o Referendo, pois é um acto directo do Povo, e não a «contorcida» delegação de poderes como são aquelas feitas para partidos nas eleições para parlamentos… …a troika agradece…

3) Sabemos que os partidos recebem subsídios do Estado que variam em importância conforme os votos que obtêm, também sabemos que os deputados dos partidos marxistas, normalmente, cedem 50% do seu salário como deputados para “o partido”… …feitas as contas, é uma coisa que dá muito jeito…
4) Vimos como «os partidos» TODOS se agitaram “nervosamente” quando se aperceberam que a população ,espontaneamente, respondendo a apelos de associações de cidadãos descontentes, iria fazer a maior manifestação que houve em Portugal desde do primeiro «1º de Maio» comemorado depois de 25 de Abril de 1974. E que face a sua materialização fantasticamente eloquente, trataram a partir de aí, de imediatamente tentar caldear-se à cabeça de todos os protestos decorrentes para os dividir, desacelerar, «enquadrar» e por fim suavizar, transformando-os em «passeatas» festivaleiras pacificas, sobretudo aos sábados, das 15h00 às 19h00,no Terreiro-do-Paço, ou em locais similares, ordeiras e muito calminhas – quando no resto da Europa e sobretudo nas ruas da Grécia o Povo demonstrava livremente e francamente o seu total descontentamento de modo necessariamente violento (é, talvez por isso mesmo – pela incapacidade dos partidos de lá, conseguirem dominar o descontentamento popular, que o dito «partido radical» surge conseguindo convencer/enganar, para depois no momento crucial, capitular e assim quebrar o espírito de revolta, e a moral do povo Grego, e de todos os povos europeus que tenham a pretensão de fazer o mesmo).
5) Da «esquerda» que se diz contestatária da austeridade e das políticas humilhantes e injustas da UE, só há um partido que assume declaradamente uma ruptura total com toda a «cangalhada» “europeia”, mas cuja a solução parece uma anedota muito desinspirada que não se consegue disfarçar com a desculpa de ser «non-sence» “britânico”. Todos os outros que tem hipótese de ter deputados eleitos APENAS FALAM EM: «Negociar o pagamento» da «Dívida». A “tal” que tendo sido produzida «por outros» que não o Povo, mas feita “em seu nome”, sem que o dito Povo tenha disso beneficiado um «tostão» que fosse.E que toda a gente sabe que é IMPAGÁVEL… Negociar. Ou seja, assumir uma dívida que não é sua. Inacreditável!
6) E mais! Essa mesma «esquerda» procura «discutir» os termos e alguns mecanismos do Euro… esta dita «esquerda» que alguma direita liberal chama de «radical(?)» (só pode ser um eufemismo muito irónico, com certeza!). «Discute»… No fundo quer «mudar “umas coisas”»… …incapaz «de chamar os bois pelos nomes» e de demonstrar que o Euro é um instrumento financeiro e económico de dominação colonial, e de por isso mesmo, exigir a saída imediata do país, em nome da Independência e Soberania Nacional. Ainda acredita que o Capitalismo é reformável… …temos de esclarecer os liberais que não se tratam de “radicais” mas sim de REVISIONISTA que até envergonhariam Kautsky e Bernstein por serem «mais papistas que o Papa».

7) E para resumir – pois se eu fosse realmente muito rigoroso, teria umas dezenas largas de alíneas não muito benéficas para a «imagem» da ««esquerda»» que nos “deixam ” ter – , olhar bem para o sistema eleitoral, para a sua mecânica e ««regras»», e perceber que é um sistema viciado «à priori» pois tudo faz para diluir e fazer desaparecer tudo o que se refira, ou seja consequente, do numero da votação da Abstenção. Pois seria muito embaraçoso para os partidos deste «Sistema» serem confrontados com o peso real e consequente da Abstenção. A gritante falta de quórum, e desautorização por desinteresse seria avassaladora, numa sala de assembleia onde realmente lhes restaria uns poucos lugares quase nunca perfazendo maioria, e quando a fazem, seria apenas de um ou dois deputados face ao avassalador numero de lugares vazios conquistados pela abstenção. Em vez disso e devido a laboriosa engenharia, «afastam» essa “sombra terrível” e revertem tudo dividindo todos os lugares pela poucas percentagens de votantes explícitos nas suas listas. O que também «rende» algumas ««compensações» fiduciárias agradáveis.

8) …e depois há «isso» mesmo… …aquela população que vota… …ainda vota nos partidos… …depois de tudo, sem que nada seja segredo, estando tudo às claras… …ainda votam «neles»… …mesmo gente inteligente… …esclarecida… …ainda votam nestes trastes…
9) Nem me refiro aos «outros» partidos CDS-PSD-PS, pois não passam da face trinitária do Inimigo a abater…
10) Verdade seja dita, que à direita a sorte não é em nada melhor (pobres coitados!) Cada cavadela cada minhoca!(Sim direita. O CDS e o PSD são uma coisa liberal mais «centro» do que realmente direita. Se não forem estúpidos e fanáticos, e tiverem um pouco de inteligência que permita um mínimo de curiosidade,  rapidamente se aperceberão pela leitura das publicações dos seus militantes, que por lá se odeia também fortemente esta tróika nacional)

Resumindo: É de facto um país dócil, amestrado, manso… …e sobretudo muito obediente, pois mesmo quando muito raramente faz intenção tímida de resistir… …evita…

Mas não temam. Tudo vai ficar na mesma. A «Culpa» será sempre da “Abstenção”. E até vão mudar o actual sistema para o «uninominal» pois – se nos lembrarmos das ultimas eleições no R.U. – é um sistema óptimo para acabar com partidos pequenos (vozes discordantes e alternativas) e fazer diluir melhor abstenção justificando tudo com os pouco votos que arregimentar… …vai ser óptimo… [http://herdeirodeaecio.blogspot.pt/2010/04/o-sistema-eleitoral-uninominal.html]

Visto isto e um queijo, sendo o queijo redondo e isto não… …não contem comigo para esta palhaçada grotesca… …não vou legitimar com o meu voto esta descomunal fraude que é a «democracia» representativa europeia… …a propósito: quando se olha para o que descrevo no primeiro e segundo pontos, percebemos de imediato que os «nossos» «direitos» afinal não passam de “privilégios temporários”…

Querem voto? …vão dar banho ao cão!…

Cartier-Bresson, fotógrafo e anarquista

Anarquia ou Barbarie

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Fonte: Antropologia do Cinema

O anarquismo é, acima de tudo, uma ética e, como tal, mantêm-se intacta. O mundo mudou, mas não o conceito libertário, o desafio frente todos os poderes. Com isso, conseguiu se liberar do falso problema da celebridade. Ser um fotógrafo conhecido é uma forma de poder e eu não o desejo” (Henri Cartier-Bresson, 1998).

Alguém disse algo parecido como onde tivermos que lutar por dignidade, haveria um anarquista. Esta reflexão do grande fotógrafo francês, libertário até o fim de sua longa e lúcida vida, é um exemplo. Cartier-Bresson esteve na Espanha durante a República, e voltaria várias vezes, identificando-se com os anarquistas espanhóis e reivindicando a anarquia como um sentido ético para a vida. Nunca abandonou seu compromisso social em sua turnê pela Europa, Ásia, África e América Latina, deixando para a posteridade numerosos momentos históricos e retratos de personagens, graças à sua Leica…

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